Eu sou um bom professor. Aliás, sou um bom profissional. Dedicado, prestativo, procuro o tempo todo fazer o melhor de todas as minhas funções, inclusive a de vereador, que foge bastante da minha área fundamental da educação. Aliás, sou professor por ideal, e, trabalho aqui em Muzambinho pois gosto de minha cidade, do meu povo, e de estar por aqui – ganho muito menos do que poderia ganhar lá fora, e, me sacrifico por esse trabalho, que, do ponto de vista material, mais me prejudica do que ajuda.
Porém, ser um bom professor, trabalhar bem, com dedicação, competência e esforço, se capacitando, sendo criativo, realizando projetos de impacto, trabalhando para encaminhar os alunos para o ensino superior, tudo isso, faz com que nós sejamos alvo de ataques, criticas e perseguição através de um aparato burocrático impossível de ser cumprido.
Minha dedicação ao trabalho tem transformado vidas, e, as minhas aulas vem mostrando qualitativamente e quantitativamente resultados brilhantes em olimpíadas, vestibulinhos, vestibulares e concursos – realmente estou transformando. Basta observar as 110 bolsas de PROUNI que eu consegui nos últimos anos, os ótimos resultados em Matemática na prova da Escola Agrotécnica, as menções honrosas em olimpíadas e eu ter sido o professor que mais orientou alunos em 2008 na Escola Superior de Educação Física de Muzambinho, mesmo não sendo da área. Aos poucos revoluciono meu trabalho com projetos, levando meus alunos para lecionar na Zona Rural, organizando exposições e fazendo outras ações que me custam madrugadas de sono e intenso trabalho nas minhas horas de folga. Há sim, por parte da comunidade, muito reconhecimento, carinho e apoio – talvez isso que me levou à eleição para Câmara Municipal e me faz ter prestígio tanto com colegas quanto com adversários políticos.
Porém meu problema é com a Rede Estadual de Minas Gerais: eles não param de me perturbar, e, o tempo todo, além de avaliarem mal meu trabalho, tanto na concepção subjetiva quanto nas perversas Avaliações de Desempenho. Insuportável, dá vontade simplesmente de abandonar meu trabalho de professor e apoiar esses alunos fora da escola, pois dentro está difícil.
Ficam me incomodando com diários de classe com registros irrelevantes, dos quais eu nunca deixei de entregar, mesmo atrasando com freqüência. Também me perturbam com papeizinhos inúteis que tenho que preencher, e não preencho justamente por não ter tempo para bobagem, inutilidades do sistema, mas sim para educar.
Talvez em nem todas escolas seja assim, mas pelo menos na escola que sou professor é, além do tratamento agressivo e desrespeitoso que os agentes oficiais da repressão governamental tem comigo. Sim: eu sou agredido! Violado no meu direito básico de cidadão, funcionário público, e, acima de tudo, de profissional. A forma desrespeitosa que sou tratado chega ao ponto da insustentabilidade, e, não deixo de cogitar ação jurídica inclusive, mas, a despeito disso, o que mais me indigna, é que, muitos outros indefesos profissionais, educadores do futuro de nossas cidades, estão na mesma posição, colaborando para que a sociedade não progrida e para que, cada vez mais, se forme uma parcela de cidadãos submissões e sem coragem de refletir. Uma lógica de trabalho da qual eu insisto: é fascista!
Eu ainda tenho a oportunidade de cansar do trabalho e manda-lo para o ar, afinal de contas a minha titulação acadêmica, levada em todo o conjunto, é, na área de educação, a maior do município, e, o meu currículo tem coisas que nenhum outro tem por aqui. Mesmo assim: se faz de tudo para que eu não pegue aulas adicionais, para que não lecione em projetos, para que não pegue turmas iniciais – me rotulam de tudo que é negativo.
Noto uma falta de vontade que eu trabalhe no projeto de Aprofundamento de Estudos, apesar de ser a área na qual eu trabalhei desde 1994 mostrando enormes impactos; uma falta de vontade que eu trabalhe no 3º ano do Ensino Médio, do qual eu atuei em 2006 conseguindo os melhores resultados de minha escola de todos os tempos nos vestibulares, ENEM e olimpíadas; uma falta de vontade que eu trabalhe na 5ª série, pois acham que eu não tenho didática talvez, de que eu não entendo de educação talvez, apesar de ser a série que eu tenho maior experiência, e, sempre tive excelentes resultados, e sou elogiado pelos pais.
Eu não tenho credibilidade como professor, e, não tenho pois meus superiores em sua grande maioria não possuem sensibilidade suficiente em Educação. Apesar de todos os resultados mostrados, esse governo não aceita quem pensa, quem recusa o absurdo, os exageros, a lógica fascista de Educação.
Convido a todos: vamos dizer NÃO para eles, nas Urnas e nas Ruas. Isso precisa acabar!
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário